
E eu embalado pela campanha publicitaria do festival criada pelo caro Digo Glaser, também TÔ DENTRO!
Espero todo mundo lá!
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TÔ DENTRO!



No dia seguinte, lá estava ela bem na minha frente, os cabelos presos em maria-chiquinha, os seios juvenis mal contidos por uma blusa rosa decotada demais para sua idade. E minissaia. Claro.
Ela estava de minissaia.
Começou a fazer perguntas. Anotava as respostas num caderno de espiral com Linkin Park na capa. Eu olhava para ela, olhava, olhava bem, enquanto ela escrevia com uma esferográfica com pompom, e aquilo me deixava excitado, por Deus que deixava. Passei a imaginar coisas com aquela coisinha, aquele nenê, aquela garotinha de colégio cheia de negaças e sorrisos de lado. Aí ela me fez uma pergunta atordoante:
— Você acredita no amoh?
Falou assim: amoh. Com agá. Como se fosse carioca. Abri a boca. Aquilo não podia fazer parte do trabalho escolar. Balbuciei:
— Amor? Se eu acredito no amor?
Ela sorria, superior. Tinha 16 anos e já enviava sorrisos de superioridade. Obra do instinto. As mulheres nascem com esse mecanismo de provocação dos homens. Quando chegam à adolescência e o primeiro homem lhes lança o primeiro olhar lúbrico, o instinto é acionado. Como se lhe apertassem um botão.
— Uma dúvida pessoal — justificou ela, levando a caneta aos lábios tenros.
Eu ainda estava perplexo. Que deveria responder? Queria agradar, mas ao mesmo tempo queria dar uma resposta madura, de homem experiente, muito mais sábio do que uma garotinha de 16 anos. Sorri. Ri. Balancei a cabeça:
— Ora, o amor...
Então ela fez um gesto de desdém com a mão e voltou a olhar para o caderno.
— Deixa pra lá - disse. - Não importa mesmo.
Fiquei fitando-a, embasbacado. Havia sido espancado intelectualmente por uma pirralha de 16 anos. Ela tinha açulado a minha concupiscência, depois tinha me deixado embaraçado, em seguida, quando sentiu que fora fisgado, me deixou no ar, como se não se importasse com a minha resposta, como se eu a tivesse desapontado com meu constrangimento. Ainda estava pensando em como sair com dignidade daquela situação, quando ela encerrou a entrevista.
— Tenho que ir — miou.
Fiquei piscando, perplexo. Ela se levantou, ajeitou a saia com as mãos e sorriu. Fiquei sem saber o que dizer, frustrado, sentindo-me um fracasso. De pé, prestes a se retirar, ela escreveu algo no canto de uma folha do caderno, rasgou um pedaço da folha e esticou o braço na minha direção:
— Esse é meu celular. Se quiser me ligar...
E se foi, me deixando todo espalhado no carpete do escritório. E agora, Senhor? O que deveria fazer? Olhava para aquele número e tornava a me perguntar: o que fazer, o que fazer, o que fazer?
O que ele fez? Saiba Segunda. No terceiro capítulo de... A Piriguete!

Ela tinha 16 anos.
Quando entrou no meu escritório, algo aconteceu no ambiente. Uma eletricidade diferente no ar, uma alteração de clima. A temperatura aumentou, tive vontade de afrouxar a gravata. Mas me contive. Não ficaria bem.
Ela vinha acompanhada da mãe. Sou advogado, a mãe dela queria fazer uma consulta qualquer. Não lembro o que era. Lembro é da menina. Ficou o tempo todo sentada ao lado da mãe, sem falar nada, sem fazer uma única pergunta ou comentário, apenas me olhando. Bastou aquilo para me deixar completamente atrapalhado.
Não sou nenhum tarado, é preciso deixar bem claro. Sou um homem sério, casado, pai de dois filhos que adoro. Também nunca fui chegado a piriguetes. Prefiro as mulheres mais maduras, mulheres com opinião, que sabem o que estão fazendo e não têm vergonha do que fazem. Mas aquela menina...
Um rostinho de propaganda de Nescau e um corpo de propaganda de cerveja. E as nadeguinhas. Precisava ver as nadeguinhas! Hmmm, empinadas, redondas, perfeitas, ai. E os pequenos seios! Coisa linda aqueles pequenos seios. Devo dizer que gosto de pequenos seios. Essa moda americana de peitões, francamente. Neste caso, sou um nacionalista.
Ela ficava me olhando daquele jeito. Aquele olhar não me enganava. Mal ouvia o que a mãe dela dizia. A mulher falava e falava, eu via que os lábios dela se mexiam, distinguia certo ruído de palavras, mas não entendia lhufas.
Ao nos despedirmos, apertei a mão de uma e outra. A menina me enviou um sorriso suave e miou um tiau que me arrepiou todo. Só isso. Foi-se, deixando-me abobado atrás da escrivaninha, pensando que menina, que menina, que menina...
— Suzi ao telefone.
— Suzi?
— Filha da Dona Ângela.
Tive dificuldades em disfarçar a excitação.
— Ah. Suzi.
— Aquela menina... — disse a secretária. Haveria alguma malícia naquelas reticências? Aquela maldita secretária vivia me dando indiretas. Pensei que deveria demiti-la, qualquer dia desses.
— Vou atender — falei, tentando aparentar dignidade.
Esperei que a secretária passasse a ligação. Passou. Aí aquela vozinha de rouxinol adolescente explicou que precisava entrevistar um advogado para um trabalho colegial. Será que eu poderia recebê-la? Não duraria mais de quinze minutos.
Quarta-feira: o segundo capítulo de... A Piriguete!


