quarta-feira, 23 de abril de 2008

Ponto de Ruptura

São Paulo, 08h56min.

O geólogo Charles Brophy estava sentado na sua poltrona estofada de couro enquanto bebericava uma caneca de chocolate quente fumegante e folhava uma Playboy, edição de abril com a Andressa Soares na capa mais conhecida como Mulher Melancia. Ozzy, gato de Brophy, miava insaciavelmente parecia assustado com algo. Charles detestava quando Ozzy agia desta maneira e sussurou:


- Ozzy, pare com isto. Estou tentando ver a garota do créu. Tu nem sabe Ozzy como me deu uma vontade de comer melancia.

Brophy era o responsável pelo o Laboratório Geológico, mal ele esperava o que iria acontecer esta noite. Um tremor de terra tomou todo o laboratório, livros despencavam das prateleiras, o teto parecia que iria ceder. Charles imediatamente correu para os equipamentos sismográficos e ficou abismado com que viu.

- Não é possível 5,2 graus na escala Richter! - balbuciou Brophy. - Preciso avisar o Instituto o mais rápido possível.Tem algo errado aqui.

Charles Brophy ligou três vez para o Instituto, mas não obteve resultado. Correu para o pátio a fim de procurar ajuda. Num golpe de vento surgiu um helicóptero de transporte de dois rotores, manobrando em direção ao solo com precisão militar.


As portas se abriram e dois homens desceram. Vestidos com uniformes militares escuros apropriados para o frio e armados com rifles, eles caminharam na direção de Brophy com determinação.


- Dr. Brophy?

O geólogo ficou paralisado.

- Como sabe meu nome? Quem são vocês?
- Pegue seu rádio, por favor.
- O quê?
- Faça o que eu disse.

Perplexo, Brophy puxou o rádio de dentro de sua parca.

- Precisamos que você transmita um comunicado de emergência. Ajuste sua freqüência de transmissão para 100 kHz.

100 kHz? Brophy não estava entendendo nada. Ninguém pode receber nada em uma freqüência tão baixa.

- Houve algum acidente?

O outro homem levantou seu rifle e apontou-o para a cabeça de Brophy.

- Não há tempo para explicar. Apenas obedeça.

Tremendo, Brophy ajustou sua freqüência de transmissão. O homem que havia falado primeiro lhe passou um papel com algumas linhas impressas.

- Transmita esta mensagem. Agora. Brophy olhou para o papel.
- Não entendo. Isto aqui está errado. Eu não...

O homem pressionou o rifle com força contra a cabeça do geólogo. A voz de Brophy estava trémula ao enviar a estranha mensagem.

- Muito bem - disse o homem. - Agora pegue seus equipamentos sismográficos e vamos para o helicóptero.

Sob a mira do rifle, Brophy relutantemente levou seus equipamentos em direção à aeronave e subiu por uma rampa para dentro do compartimento de carga. Assim que se acomodaram, o helicóptero partiu na direção oeste.

- Afinal, quem são vocês? - protestou Brophy, suando frio por baixo de sua parca. E qual era o sentido daquela mensagem?

Os homens permaneceram em silêncio. À medida que o helicóptero ganhava altitude, o vento que entrava pela porta aberta tornava-se insuportavelmente cortante.

- Pelo menos fechem a maldita porta - exigiu o geólogo. - Meus equipamentos podem danificar, vocês não estão vendo?

Eles nada disseram. Quando o helicóptero passou de mil metros de altitude e inclinou-se fortemente sobre uma série de precipícios e fendas nas rochas, os homens levantaram-se bruscamente, agarraram os equipamentos e jogaram-no porta afora. Brophy olhou, aterrorizado, enquanto seus equipamentos eram arremessados.

Brophy estava de pé, gritando, quando os homens também o pegaram e o empurraram em direção à porta. Em pânico, tentou livrar-se das mãos firmes que procuravam jogá-lo para fora.

Seu esforço foi em vão. Poucos instantes depois, ele também despencou, espaço abaixo, em direção as rochas.


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